Meu homem , igual um corcel selvagem, andava vadio e errante,- também feito de metades e cigano urbano como eu - percorrendo encantos na terra, desvendando mistérios do céu, buscando seu próprio reflexo e um colo pra descansar... Havia explorado tantas grutas, descampado tantas matas, mulheres mil pela vida,que chegou já de partida, como quem nem ia ficar... Mas hora frágil como passarinho, ou ágil e silencioso como um felino, foi entrando de mansinho, fazendo ninho,tomando posse, fazendo morada... Meu homem, é assim mesmo, ele tem uma mistura rara: metade bicho, metade gente,visão aguçada, andarilho aprendiz, carrega a experiência dos sábios, uma colméia de mel nos lábios,a entrega de um zangão, a força de um garanhão, com a coragem de um leão, contida em seu coração. E possui um toque macio, sabe amar suavemente, mas quando fareja meu cio, o cheiro da fêmea fremente , aceita meu desafio, me cobre de virilidade, e vira orgia de bicho, em total intimidade... Metades perdidas se encaixam, em perfeita harmonia ... gêmeas almas se encontram, em perfeita alegria...almas...ânimas...divididas... animais alados viajantes fadados à divina fusão: um dia...
(Mônica-Centaura)
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