Sou cigana sim senhor,

cigana de alma, de tempos idos,

quando cigano era livre

e por isso perseguido.

Eu fugi pra viver em tendas,

com esse povo tão sofrido,

perseguindo minhas crenças e

para a vida um sentido.

Entre muitos dissabores,

aprendi muitos valores,

e aprendi  a ver a sorte,

sabia tudo das mãos,

fiquei valente e forte

e ouvia o coração.

Mas por uma praga rogada,

virei cigana sem tenda,

de morar aprisionada,

ter de trilhar outra senda,

 ter de dormir em puleiros,

e andar entre bueiros,

viver toda certinha, arrumada,

quando quero é saia rodada,

sandalia no pé sem recato,

o cheiro puro de mato,

dançar ao redor de fogueiras,

e me banhar de cachoeiras.

 

Mas não tem nada não...

me arrancaram da estrada,

virei urbana insana,

só que a alma cigana,

esta não conseguirão,

pois se não leio mais as mãos,

me restou o principal,

poder ler o coração...  

(Mônica-Centaura )


 

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