Sou cigana sim senhor, cigana de alma, de tempos idos, quando cigano era livre e por isso perseguido.
Eu fugi pra viver em tendas, com esse povo tão sofrido, perseguindo minhas crenças e para a vida um sentido.
Entre muitos dissabores, aprendi muitos valores, e aprendi a ver a sorte, sabia tudo das mãos, fiquei valente e forte e ouvia o coração.
Mas por uma praga rogada, virei cigana sem tenda, de morar aprisionada, ter de trilhar outra senda, ter de dormir em puleiros, e andar entre bueiros, viver toda certinha, arrumada, quando quero é saia rodada, sandalia no pé sem recato, o cheiro puro de mato, dançar ao redor de fogueiras, e me banhar de cachoeiras.
Mas não tem nada não... me arrancaram da estrada, virei urbana insana, só que a alma cigana, esta não conseguirão, pois se não leio mais as mãos, me restou o principal, poder ler o coração... (Mônica-Centaura )
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