Música de fundo: Search for the hero inside yourself
(Procure o herói dentro de si)
Quando desejamos intensamente algo, quando a nossa meta é legítima, viramos crianças em seus primeiros passos, que não temem a queda e levantam-se como se no momento seguinte já pudessem sair correndo. Porque um desejo consistente nos faz sonhar e rir...multiplica e amplifica uma energia multicolorida a nossa volta, contagiando tudo e a todos, pois não é exclusivista. Ficamos energizados, grandes, poderosos...As barreiras são vencidas, tudo adquire um brilho e cor diferente. O ontem, o hoje e o amanhã perdem referências temporais e tudo num presente atemporal intensamente vivido se resume. Não nos negamos, nossa vontade fica forte, pois vamos em busca do herói que habita em nossa alma... Então nos permitimos e assumimos nossas carências - portais de desejos e alimentadoras de sonhos. Traçamos objetivos e estratégias práticas, enfrentamos de frente nossos medos, encontramos o motivo mais plausível para tudo, o instinto age e a motivação nasce, nos tornando guerreiros vigorosos. A alma começa a ocupar seu verdadeiro lugar em nossas vidas...
Os que guerreiam por seus sonhos sabem que o mundo não é cor de rosa, mas continuam firmes em seu combate, mesmo quando não conseguem realizar um objetivo, porque têm a consciência plena de que a pior derrota é o arrependimento por não terem lutado, ou por alimentarem medo e fuga. Só que algumas pessoas temem seus próprios desejos... e seus sonhos mofam esquecidos em gavetas escuras, sob tênues pretextos do que se deve, se pode ou não se consegue. Constróem sua própria armadilha temporal nas teias de um amanhã previsível, môrno de novidades, com pouco amor e pouca dor, pois temem o risco, temem o novo, a luz e a escuridão e escolhem a sombra. Pouco se amam e são amadas. Como zumbis, conviverão com outras pessoas na medida exata : pessoas que também entregaram seus sonhos ao pó e teias de aranhas, trancados em gavetas escuras e muitas vezes dedicarão a essas, o que acreditam ser amor.
Ainda assim, numa débil tentativa de mudança, ao sintonizarem com alguém que consiga enxergar seu fulgor sob a crosta que se escondem, correm o sério risco de se acovardarem, sob desculpas incontáveis criadas a partir dos seus medos e inseguranças. E por medo te terem medo, essas pessoas sobretudo, podem provocar feridas, porque inconscientemente carregam a bandeira do desamor. Sim, porque tiveram pouco amor na infância, pouco amor nos relacionamentos afetivos, ou julgam que foi pouco, a partir da sua necessidade de ter muito, com pouco a dar em troca... No fundo, não se sentem merecedoras de felicidade, por isso vivem um processo de auto-sabotagem. São vítimas dos outros, mas principalmente da ignorância de si mesmas. E embora muitas vezes ostentem bom humor e alegria, não conseguem enxergar as oportunidades de crescimento que o universo lhes dá - como uma mudança de emprego que ampliaria seus horizontes, a chegada de um filho que as permitiriam aprender a amar, um novo amor com valores e hábitos diferentes.
E dessa forma elas passeiam como sombras ambulantes pela vida, escravas de profissões sem realização ou de relações opressoras e frustrantes, só para amargarem arrependimentos e contarem como a vida lhes tem sido ingrata. Um dia, pode ser que a tomada de consciência aconteça através de algo grande - geralmente uma perda, ou algumas das tantas surpresas da vida, nas esquinas da dualidade cotidiana. E nesse dia, momentaneamente incompreendido, poderão aprender a se amar, se perdoar e se reconciliar com desejos e sonhos, quebrando o elo de vítima de si mesmas e dos outros... Encontrarão seu herói interior e perceberão o tempo precioso perdido em auto-punições, as custas de duro aprendizado. Sentirão sobretudo, o beijo da liberdade...sentirão o amor...
Pois como diz Paulo Coelho: "É preciso aceitar o amor, porque ele é o alimento da nossa existência. Se nos recusamos, morreremos de fome vendo os galhos da árvore da vida carregados, sem coragem de estender a mão e colher os frutos. É preciso buscar o amor onde estiver, mesmo que isto signifique horas, dias, semanas de decepção e tristeza. Porque no momento em que partirmos em busca do amor, ele também parte ao nosso encontro e nos salva." (Mônica-Centaura)
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