
Ele ama esse misterioso elemento
fogo sagrado que liberta, ensina e cura
fogo que incendeia paixões, purifica corações
que alimenta a energia da vida...
O seu fogo me queima mas não arde
aquece, brilha, reluz
e me acende luzes celestes inspiradoras de fé...
Do seu som, riso e gestos
brotam labaredas que me instigam a explorar
um labirinto interior de lembranças adormecidas
e míticos cenários ocultos entre dimensões desafiadoras da lógica...

A presença dele me alegra, excita e intriga...
Suas feições - pródigas em metamorfoses -
me lembram um guerreiro Sioux
que tem no peito a marca da liberdade
para voar intrépido rasgando o vento
no galope livre de um corcel selvagem
a desbravar horizontes infinitos

Contrasta uma doce ternura em seu olhar,
um lago sereno que convida ao mergulho profundo
para o desconhecido atravessar...
Seu sorriso ilumina como o sol
desvanece as nuvens do meu coração
e seu canto me enternece
como o rufar de asas angelicais

Sua alma antiga me conta histórias de tempos distantes
e igual um iniciado em sábias Ordens intemporais
me abre os portais de uma inefável memória.
Enquanto seus olhos ternos, quase infantis
revelam o deslizar recente do espírito
no corpo que habita o Agora...

A sua presença me inspira, enternece e confunde...
Despojado feito um cigano, matreiro como um felino
treloso igual menino, inquieto como os guerreiros do Arco-iris
ele é generoso como a colheita mais farta, amoroso como uma mãe zelosa
e ardoroso como um Senhor de muitas donzelas enamoradas...
Meu guardião das damas do fogo
seu calor me convida à fusão ígnea
e desperta impetuosas lavas adormecidas...
Minha alma avisa para um incêndio devorador
Mas as salamandras que habitam em mim
saúdam as salamandras que habitam em ti...
(Mônica/Centaura)
